Archive for setembro \07\UTC 2013

MixLit 68: Os espaços

Ela, prazerosa, no esplendor do seu sorriso1 costumava dizer: “A vida é espantosamente curta.2 Você chegou a tempo de eu perceber que não deveria desistir.”3

Não deu certo.4 MixLit 68 - imagem

Senti que estávamos separados não há três meses, mas há três anos. Pensei em como seria difícil conhecer outra pessoa, descobrir outro corpo, sem brotoejas na nuca, sem cicatriz na perna, sem manchas de sol nas costas, sem calos nos dedos.5

As pessoas separam, seguem sua vida, se mudam.6 As mulheres deixam de amar.7 Uma coisa que eu não aprenderia nunca.8

Pelo menos estou tentando resolver isso…9  

Dar nomes para o espaço entre as coisas.10

Estou tentando!11

 


1 ONDJAKI. E se amanhã o medo. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2010, p.73.

2 Franz KAFKA. Um médico rural. Tradução de Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p.40.

3 Paulo SCOTT. Habitante irreal. Rio de Janeiro: Objetiva/Alfaguara, 2011, p.215.

4 Saul BELLOW. Herzog. Tradução de José Geraldo Couto. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p.67.

5 Danielle SCHLOSSAREK. Irene na multidão. Rio de Janeiro: Oito e meio, 2013, p.19.

6 Dash SHAW. Umbigo sem fundo. Tradução de Érico Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, sem número de página, início da “Parte 2”.

7 Saul BELLOW. Idem, p.65.

8 Laura ERBER. Esquilos de Pavlov. Rio de Janeiro: Objetiva/Alfaguara, 2013, p.113.

9 Dash SHAW. Idem.

10 Waltercio CALDAS. Manual da ciência popular. São Paulo: Cosac Naify, 2007, página sem número, seção “21 – A estória da arte”.

11 Dash SHAW. Idem, página seguinte à usada anteriormente.

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