Archive for fevereiro \28\UTC 2011

MixLit 42: Oportunidade de trabalho

Uma semana depois, estava de volta ao Brasil1.

Cook ficou assombrado com o tamanho e a forma da Grande Barreira de Recifes, um tipo de estrutura “pouquíssimo conhecida na Europa. Trata-se de uma muralha de rocha de coral elevando-se quase na perpendicular do oceano insondável”2.

Sente no estômago a curiosa sensação que sempre produzem as relíquias de um passado inconcebível3. Mais além, na margem esquerda, serpenteiam cinco ou seis vales onde o olhar distingue perfeitamente pequenos riachos4.

– Tenho sede dessa água, disse5.

– Aprova então o meu projeto?6

– Vou dizer a vocês, com toda a segurança: aqui nós temos trabalho para vinte anos7. Consegue ouvir o ruído? Ouça. Fabuloso, não? As máquinas8.

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1 Fernando GABEIRA. O que é isso, companheiro? Rio de Janeiro: Codecri. 1980, p.38.

2 Gavin MENZIES. 1421 – O ano em que a China descobriu o mundo. Tradução de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2006, p.200

3 Erich von DÄNIKEN. Eram os deuses astronautas? Tradução de E.G. Kalmus. São Paulo: Melhoramentos. 1970, p.95.

4,6 STENDHAL. O vermelho e o negro. Tradução de Raquel Prado. São Paulo: Cosac Naify. 2008, 4.pg.24, 6.pg.30.

5 Antoine de SAINT-EXUPÉRY. O pequeno príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. Agir: Rio de Janeiro. 1972, p.82.

7 Guilherme FIÚZA. 3.000 dias no bunker. Rio de Janeiro: Record. 2006, p.45.

8 Gonçalo M. TAVARES. A máquina de Joseph Walser. São Paulo: Companhia das Letras. 2010, p.156.

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MixLit 41: A postura do poeta Miguel

“Não viajo para países em guerra”, me disse o Miguel quando eu perguntei se ele tinha vontade de ir1.

Ele2 mantém cuidadosamente seu diário, guarda sua correspondência, redige as minutas de todas as reuniões em que discutem a situação e se indagam como continuar. Ele lhes explica3: as palavras sempre foram inimigas das coisas e há desde sempre uma luta entre a fala e os ídolos4.

Aprendi há muito5: não agir dá-nos tudo. Imaginar é tudo, desde que não tenda para agir6.  É sempre mais tentador se empenhar em algo familiar7. O poeta é o gênio da lembrança. Não pode fazer senão recordar, não pode fazer mais do que admirar o que foi realizado pelo herói8.

Quanto a mim, apetecer-me-ia9 o gosto do sangue10.

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1. Os sete NOVOS. Amoramérica. Rio de Janeiro: 7 Letras. 2008, p.63.

2,3. Milan KUNDERA. O livro do riso e do esquecimento. Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1987, p.10.

4. Valère NOVARINA. Diante da palavra. Tradução de Ângela Leite Lopes. Rio de Janeiro: 7 Letras. 2009, p.15.

5. José Eduardo AGUALUSA. Milagrário pessoal. Rio de Janeiro: Língua Geral. 2010, p. 21.

6. Fernando PESSOA. Livro do desassossego. São Paulo: Companhia das Letras. 2009, p.179.

7. Waly SALOMÃO. Babilaques. Trabalho: “Construtivista tabaréu”, 1977. Rio de Janeiro: Contracapa. 2007, pg.41

8. Soren KIERKEGAARD. Temor e Tremor. Tradução de Torrieri Guimarães. Rio de Janeiro: Ediouro. Sem data, p.35

9. Walter CAMPOS DE CARVALHO. A lua vem da Ásia. Escrito em 1956, edição eletrônica em pdf disponível na internet, p.71.

10. André MALRAUX. A condição humana. Tradução de Jorge de Sena. São Paulo: Abril. 1972, p.41.

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