Archive for the ‘Ingmar BERGMAN’ Category

MixLit 26: Novo dia

– Que dia é hoje?

– É sábado. São 9 horas. Telefonei para o hospital e disse que você estava doente.

– Meu Deus, então dormi durante 24 horas.

– Fiz este pequeno desjejum para você.

– Obrigada, foi muito gentil, mas(1) eu gostaria de visitar a sepultura do meu pai em Livorno.

– Quem lhe disse que ele tinha um túmulo?

– Ninguém me disse. Todo mundo que morre tem uma sepultura.

– Quero dizer, por que achou que era em Livorno?

– Porque era lá que ele morava.

– O que diria se seu pai estivesse vivo?

– Não pode estar.

– Imagine se eu lhe dissesse que ele estaria?

– Você me disse que ele estava morto(2). (Ainda meio tonto) Juro que puseram alguma droga naquela bebida, ainda estou tonto!… Nunca me aconteceu isso antes(3). Quem te trouxe?

– Nada disso aí é novidade para mim.

– Qual é seu nome?(4)

– Às vezes te admiro mais do que de costume, meu filho(5).

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1. Ingmar BERGMAN. Face a face. 1976. Tradução de Jaime Bernardes. Nórdica. Rio de Janeiro. 1976, 2ª edição, p.68.

2. John BERGER. G. 1972. Tradução de Roberto Grey. Rocco. Rio de Janeiro. 2005, p.65.

3. Maria Clara MACHADO. Teatro IV. 1967-1987. Agir. Rio de Janeiro. Peça: O diamante do Grão-Mogol (1967). 1992, 4ª edição, p.59.

4. Cecília GIANNETTI. Paralelos – 17 contos da nova literatura brasileira (vários autores). 2004. Agir. Rio de Janeiro. 2004, conto: O último quarto à direita, p.26.

5. João UBALDO RIBEIRO. Viva o povo brasileiro. 1984. Alfaguara/Objetiva. Rio de Janeiro. 2007, 4ª edição, p.289.

Imagem: Foto de Kendra Smoot: http://www.holidash.com/fathers-day/crafts/fathers-day-crafts

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